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  • Foto do escritorAlberto Moby Ribeiro da Silva

LAGOS ANDINOS VI: PUCÓN

Atualizado: 4 de jul. de 2023

Pucón é uma pequena cidade na região central dos lagos do Chile, com pouco mais de 28 mil habitantes situada às margens do Lago Vilarrica e cuja atração principal é o Vulcão Villarrica, nevado – e ativo!. É uma parada ideal para quem gosta do turismo de aventura, trekking, esportes aquáticos, rafting e canoagem, esqui e o snowboard. É uma cidade que oferece belas praias nas margens do lago, fontes termais naturais nos vales arborizados próximos, além de estar circundada por uma floresta tropical temperada.


Panorâmica a partir da Av. Calpulicán, na Península de Pucón


Vulcão Villarrica visto do meio da Baía La Poza


Pucón é uma cidade plana, com edifícios baixos e com uma infraestrutura bastante bem articulada para o turismo. A principal artéria dessa pequena cidade é a Av. Bernardo O’Higgins, que é cheia de restaurantes, casas de chocolate e agências de turismo. Mas nas ruas que cruzam essa avenida principal, o ambiente é bastante semelhante, principalmente quando estamos indo em direção à praia do Lago Villarrica, como, por exemplo, as calles Lincoyán e Gerónimo de Alderete.


Visitei a cidade duas vezes, ambas no verão, na época mais cheia de turistas, chilenos e de várias nacionalidades, principalmente americanos em europeus. O clima de férias fica ainda maior nos restaurantes, que abrem as portas para cantores de rua, que tocam duas ou três músicas e depois passam o chapéu. Outra atração musical famosa são os chincineros, artistas tradicionais que dançam e ao mesmo tempo tocam um bumbo e pratos que carregam mochilados nas costas. Algumas vezes, eles tocam e dançam acompanhando a música de um tocador de realejo, como neste vídeo que eu gravei na Plaza de Armas, um dos pontos centrais da cidade.



Aliás, o tocador de realejo também é outra figura tradicional, não só em Pucón, mas em várias cidades chilenas, além de também ser encontrado no México e na Argentina e, mais raramente, em outros lugares, como no Brasil, Itália, Alemanha, Holanda... O organillero (tocador de realejo) às vezes oferece, em troca de algumas moedas, papeizinhos com frases que supostamente têm a ver com o destino de quem os recebe, geralmente entregues por um animalzinho de estimação do organillero, como um macaquinho, um papagaio ou periquito.


Calle Lincoyán com o vulcão ao fundo


Fresia, esquina com Gerónimo de Alderete


A Playa Grande é a única à qual se pode ir a pé do centro da cidade. O que talvez mais chame a atenção nela é sua areia preta e bastante granulada, por ser de origem vulcânica. A propósito, em toda a região dos Lagos Andinos as praias costumam ter esse tipo de areia. Na Playa Grande é possível alugar um caiaque ou um stand up paddle por um bom preço. Essa é uma ótima opção para explorar esse lago de águas azuis e super tranquilas. Como a cidade é bem pequena, dá pra chegar à Playa Grande andando a partir de boa parte dos hotéis e pousadas.


Playa Grande


O Lago Villarrica – uma beleza de 173km², de um azul de tirar o fôlego cercada de vegetação nativa – é um dos maiores que da região, chamada de Araucanía Lacustre, que identifica a região dos Lagos Andinos do país. Em Pucón, ele se faz presente particularmente na Playa Grande e na Bahía La Poza, onde está localizado o cais de onde saem os passeios de barco pelo lago. Essa pequena baía é de uma beleza de tirar o fôlego, além de permitir uma visão privilegiada do Vulcão Villarrica.


Pequena lagoa na foz do riacho que desemboca na Baía La Poza


Cais da Baía La Poza


Por do sol no cais da Baía La Poza


A atração principal, no entanto, é o Vulcão Villarrica, cujo cume está a cerca de 2.000m de altitude. Os nativos mapuches o chamam de Rucapillán, a “casa do demônio”. Perfeitamente cônico, é o mais perigoso do Chile – entrou em erupção pela última vez em 2015 e está sempre soltando sua fumacinha. Mas nada que assuste os habitantes da cidade, que, ao contrário, souberam aproveitar sua fama. Por várias razões, nas duas vezes em que estivemos em Pucón acabamos optando por não subir ao topo do vulcão, entre elas, gastar um dia inteiro nesse passeio, ventos muito fortes, as duas horas de caminhada até a cratera etc. Mas garanto que mesmo de baixo a vista do Villarrica é espetacular.


Vulcão Villarrica banhado pelo por do sol no cais da Baía La Poza


FORA DO CENTRO

Ao longo de todo o ano a cidade oferece atividades para todo tipo de turista. No verão, é ideal para a prática de esportes náuticos como windsurf, canoagem, standup paddle e kitesurf, além da pesca esportiva. Em terra, trekking, cavalgadas e espeleologia são algumas das opções. Além disso, há uma variedade de outras atrações ligadas à natureza exuberante da região, a maioria a poucos minutos do centro, que vale a pena conhecer, como, por exemplo, os Ojos del Caburgua e a Laguna Azul. Os dois fenômenos são interligados. Ambos são fenômenos do Rio Caburgua, que, por sua vez, nasce no Lago Caburgua, cerca de 8km mais ao norte.



Junto aos "Olhos de Caburgua" está a Laguna Azul, mais um local com uma pequena lagoa com uma queda d'água e que tem uma coloração azulada. Procure fazer esse passeio em um dia de céu aberto, em que o sol está no alto, assim você verá as águas com uma cor muito mais bonita.



É possível chegar de carro ou de ônibus aos Ojos del Caburgua e à Laguna Azul. Se você optar pelo ônibus, o primeiro sai às 8h e os demais, de hora em hora. A passagem custa CLP 900 (cerca de R$ 7,00). Basta esperar em qualquer parada de ônibus no caminho (Ruta S-905) e dar sinal para o da linha Caburgua e avisar ao motorista que vai descer nos Ojos del Caburga. As cachoeiras ficam dentro de uma propriedade privada, para a qual é necessário pagar um ingresso de CLP 1500 (cerca de R$ 11,50). Se você for de carro, reserve mais pesos chilenos para o estacionamento.


Para ir ao Lago Caburgua são mais 6,3km até a Playa Negra ou 8,2km até a Playa Blanca. O lago é outra das paisagens espetaculares da região. Quando estivemos lá, mesmo sendo verão, o dia estava nublado e frio, o que não tirou a beleza da paisagem. Fiquei particularmente surpreso com a grande quantidade de pedras imensas, mas muito leves, que encontramos na passagem entre a Playa Blanca e a Playa Negra, certamente de origem vulcânica, e também com a profusão de flores selvagens. Algumas dessas pedras foram transformadas em esculturas por algum artista local, aparentemente sem terem sido retiradas de seus locais originais. Isso dá um aspecto meio assustador, mas ao mesmo tempo divertido, ao caminho.


Passagem da Playa Blanca para a Playa Negra, no Lago Caburgua


Playa Blanca, Lago Caburgua


Esculturas nas pedras vulcânicas da Playa Negra, Lago Caburgua


Playa Negra, Lago Caburgua


No inverno, a atração principal é a estação de esqui na encosta do Villarrica, bem como as várias estações de águas termais vulcânicas. Embora sua infraestrutura nem se compare à dos grandes centros de ski chilenos e argentinos, a estação de ski de Pucón dispõe de pistas com todos os níveis de dificuldade, desde o iniciante até o mais experiente. Localizado a noroeste do Vulcão Villarrica, o Centro de Ski Pucón é administrado pela Gran Hotel Pucón Resort and Club. Fica a 1.400m de altura e possui uma infraestrutura esportiva com 20 quadras para esquiadores de todos os níveis e nove teleféricos, também de estrutura para alimentação e aluguel de equipamentos.


Estação de esqui no Vulcão Villarrica


Uma atração um pouco mais distante, mas imperdível se você tiver tempo, são as Termas Geométricas de Coñaripe. A 87km de Pucón, essas termas foram construídas há pouco mais de 10 anos como um curioso balneário rústico, bruto, geométrico, e ainda assim especialmente acolhedor e relaxante. O complexo é formado por piscinas de águas quentes, montanhas por todos os lados e passarelas vermelhas em estilo oriental, compondo um visual inconfundível. Além das muitas atrações que oferece, Pucón ainda é cercada de clubes que se aproveitam de suas águas quentes de origem vulcânica. As Termas Geométricas são apenas o lugar mais bonito e mais visitado entre esses clubes.


Na verdade, as Termas Geométricas pertencem ao balneário de Coñaripe, que, por sua vez, faz parte do município de Panguipulli, às margens do lago de mesmo nome, 82km ao sul. A viagem até lá é mais rápida e segura – e, portanto, mais indicada – no verão, com menos neblina e sem neve na estrada. Mas, como suas águas que jorram a cerca de 45 ºC o ano inteiro, as Termas podem ser visitadas em qualquer época.


Termas Geométricas de Coñaripe


Dentro das Termas existem 17 poços, 4 frios e 13 de águas quentes, formados por fontes naturais que correm pelas montanhas. As piscinas são de diferentes tamanhos e podem ser exploradas a partir das passarelas vermelhas, dispostas em ângulos e retas que justificam o Geométricas do nome. A temperatura da água nas piscinas varia de 35 ºC a 42 ºC.

Se você optar por não comprar o pacote nas agências turísticas de Pucón, pode ter certeza que vai gastar bem menos indo por conta própria. Mas, por outro lado, a viagem certamente será mais demorada e acidentada, sendo necessário alugar um bom veículo – de preferência, um 4x4, se você for no inverno.


Outro passeio que vale a pena é uma ida até a comunidade Feria Costumbrista Kui-Kui de Quelhue, criada para mostrar as tradições dos mapuches, povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina. Conhecidos também como araucanos, eles, no entanto, rejeitam essa denominação, dada pelos espanhóis na época da conquista, que eles consideram pejorativa e discriminatória.


Ruka (casa tradicional típica mapuche) na Feria Costumbrista Kui-Kui


Na Feira Kui-Kui (Feira da Ponte) é possível degustar comida típica de campo e mapuche, em 18 postos que oferecem serviços de gastronomia e artesanato em tecido e madeira, música ao vivo, atividades de fiação e moagem de trigo, entre tantas possibilidades. Além disso, a feira possui um minimuseu da cultura mapuche, inclusive com uma “ruka”, típica casa mapuche construída com madeira e palha, onde é possível conhecer um pouco dos ricos valores culturais do povo mapuche.


Pasarela Quelhue, velha ponte de madeira sobre o Río Trancura e paisagem de Quelhue ao fundo


Num dia claro, a partir da Pasarela Quelhue – uma antiga e charmosa ponte pênsil sobre o correntoso Rio Trancura – é possível ter uma vista impressionante dos vulcões Villarrica (chamado pelo povo mapuche de Rukapillan, a Casa dos Espíritos), Quetrupillan (Diabo Tímido, na versão mais aceita) e Lanín. Debaixo da Pasarela Quelhue, o Rio Trancura se transforma em um belíssimo cenário de aventura aquática, sendo muito comum ver praticantes de rafting e de caiaque.


Vulcões Lanin (à esquerda), Quetrupillan (logo em seguida, à direita) e Villarrica (ou Rukapillan) vistos da ponte sobre o Rio Trancura


Rafting no Rio Trancura


ONDE EU FIQUEI

Na maioria das nossas viagens, temos optado ou pela experiência de alugar um espaço com algum anfitrião cadastrado no Airbnb ou, quando é mais em conta, alugar uma casa ou apartamento por esse sistema. Infelizmente, na nossa primeira viagem a Pucón, em 2016, não havia nenhuma oferta de hospedagem que valesse a pena e por isso nos hospedamos no Hotel Cumbbres del Sur, um hotel 3 estrelas na Av. Colo Colo, na entrada da cidade, quase em frente ao Estádio Pucón. As dependências eram bastante confortáveis, o pessoal, atencioso e o café da manhã, honesto. Além disso, o hotel fica a uma quadra do início da Av. Bernardo O’Higgins, principal artéria da cidade.



Em 2017, ainda sem encontrar opções de hospedagem pelo Airbnb, optamos pelo Donde Egidio Hostal, espaço muito mais modesto, em geral frequentado por gente mais jovem e despojada, mas nem por isso menos aconchegante. Instalado numa construção rústica em madeira, os destaques ficam para a amabilidade do proprietário e seus auxiliares e para o café da manhã caseiro, servido em uma grande mesa ladeada por dois longos bancos, onde os hóspedes, das mais variadas partes do mundo, devido ao espaço exíguo, se espremiam e confraternizavam. Foram duas experiências bastante diferentes que nos agradaram do mesmo jeito.



Obviamente, embora seja uma cidade pequena, Pucón é um centro turístico. Isto significa que há dezenas, talvez centenas de outras opções de hospedagens para todos os gostos, tanto no centro da cidade como em regiões mais afastadas. É fácil conferir essas variadas opções em serviços como o Booking.com ou Tripadvisor, além do Airbnb. Sugiro dar uma olhada no guia Melhores Destinos.

ONDE EU COMI

Pucón também oferece uma gastronomia para todos os bolsos. De bônus, você pode ter o prazer de tomar os ótimos vinhos chilenos, que sempre aparecerão em qualquer lista séria dos melhores vinhos do mundo – alguns deles a preços bem em conta.


Assim como com relação à nossa hospedagem, também tivemos a oportunidade de ir a restaurantes mais simples, aparentemente mais ao gosto da população local e turistas chilenos, quanto aos mais sofisticados. Destaco aqui três desses lugares. O primeiro e também o mais popular é o Cassis, na calle Fresia. Mistura de cafeteria, lancheria e restaurante de comidas rápidas, o Cassis é um lugar movimentado e reúne tanto chilenos quanto turistas estrangeiros. O ambiente é dinâmico, alegre e descontraído, com um serviço rápido, apesar de estar quase sempre lotado. Há lugares para se fazer refeições mais caprichadas, mas seu café, os sucos e os doces – com destaque para o alfajor – são imperdíveis. Isso além do ambiente agradável, que vale a pena uma parada.



Outro lugar que me agradou bastante, por uma razão diferente, foi o Rincón del Lago. Longe da muvuca turística, a sete quadras do lago, quase no final fa calle Urrutia, esse restaurante, além de ser um espaço bonito, amplo e agradável tem uma equipe extremamente amável e rápida. Coomo se não bastasse, o cardápio serve preparações tipicamente caseiras, simples, mas saborosas. Além disso, seu preço me pareceu bastante em conta.



Minha terceira sugestão, o Senzo Risotto & Pasta, também na rua Fresia, é especializado em massas, porém, traz em seu menu muito mais opções do que apenas comidas italianas, sendo, na prática, um restaurante com cardápio variado. O ambiente é de muito bom gosto, com decoração minimalista, que alguns identificam como semelhante a uma casinha de bonecas. Seu menu, como o nome indica, tem risotos, massas, carnes, peixes e saladas. Outra característica interessante é que lá você pode montar seu prato de pastas, escolhendo o tipo de massa e, depois, o tipo de molho. Recomendo!



Bem, essa minha longa conversa sobre Pucón mostra o impacto positivo que essa pequena e "vulcânica" cidade me causou. Embora pessoas como eu - e na minha idade - não gostem de perder tempo voltando várias vezes a lugares já conhecidos, se há tanto lugar novo pra conhecer, Pucón é, certamente, uma das exceções da minha lista.

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