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  • Foto do escritorAlberto Moby Ribeiro da Silva

VIAJANDO PELAS PONTES I

Atualizado: 21 de ago. de 2021

Todo mundo que viaja tem uma ou mais paixões para as quais a viagem é um elo. Alguns têm paixão por hotéis e pela sensação de que esses espaços são feitos para reinar e, em função disso, fazem questão de se sentir como rainhas ou reis. Alguns têm paixão por praia e mar e não viajam para lugares onde não há mar nem praia. Outros buscam em suas viagens os museus; outros, os restaurantes; outros, ainda, paisagens deslumbrantes que caibam nas lentes de suas câmeras fotográficas ou do seu smartphone.

Antes de mais nada, é preciso dizer que a maioria dessas paixões não é excludente e que há muitos viajantes que levam todas essas e mais algumas paixões na bagagem. Eu tenho muitas – algumas bem inusitadas como, por exemplo, me perder nas ruas de uma cidade desconhecida, dar voltas e mais voltas, correr riscos, até achar novamente o caminho do hotel, da pousada ou da acomodação alugada. Mas desta vez queria falar da minha paixão por pontes.

Tenho mais pontes na memória que eternizadas em registros fotográficos. Mesmo assim achei que valia a pena fazer esta série posts registrando algumas pelas quais me apaixonei. E peço licença ao leitor para ampliar esse meu conceito de ponte, incluindo nele também viadutos, aquedutos e seja ligação entre caminhos ou pule barreiras para levar pessoas ou coisas para o lado de lá. Também não se assustem com a desproporção entre elas, já que paixão não é algo muito racional, ok?


PONTE DE SÃO PEDRO (Pamplona-ES)

(castelhano: Puente de San Pedro/basco: San Pedro Zubia)

E começo por uma bem modesta, que se pode atravessar – embora não valha a pena – em menos de um minuto: a Ponde de São Pedro, na encantadora cidade de Pamplona, na Espanha, pertencente à província autônoma de Navarra, que corresponde ao antigo Reino de Navarra.

Situada junto ao bairro de mesmo nome, é a ponte mais antiga da cidade. Embora alguns autores a atribuam ao período românico (entre os séculos XI e XIII), suas origens parecem ser romanas (séculos VIII a.C. e IV d.C.). Sua existência está documentada antes da Idade Média. Levantada perto do primitivo povoamento romano de Pamplona, que ocupava o atual bairro da Catedral, o que leva a crer que seria esta ponte a que deixaria passar o ramal que uniria o centro urbano com a via romana que, bordeando o monte San Cristóbal, seguia a direção Leste-Oeste. Tem um forte selo romano em sua parte mais antiga, que, pelo que se pode observar, foi acrescida posteriormente, ainda que em data muito antiga (anterior ao século XI).

Situada dentro de uma área verde chamada Parque Runa, é uma ponte relativamente pequena, de 60m de comprimento por 3m de largura, com três arcos semicirculares, sendo o central, mais elevado, de 11m. Ela se conserva em aparente bom estado, embora tenha cruzes de ferro para unir transversalmente suas duas partes, que tendiam a se abrir longitudinalmente. É monumento nacional desde 1939.

Como chegar: Pamplona está a 390km da capital da Espnha, Madrid, e a 483km de Barcelona, a segunda cidade mais populosa do país. Chegando lá de avião, é importante saber que o Aeroporto de Pamplona-Noáin fica a aproximadamente 6km ao sul da cidade. Há voos regulares partindo de Madrid, de Barcelona e de várias outras cidades espanholas.

Outra opção é o trem. A empresa ferroviária estatal, RENFE, conecta Pamplona a muitas cidades da Espanha e da Europa. Apesar de não ser o meio de transporte mais barato, o trem é um dos meios de transportes mais comuns na Europa. Em geral, os trens são super confortáveis, seguros, rápidos, além de permitirem ao passageiro levar bastante bagagem.

O trajeto de ônibus não é o mais rápido, mas é, seguramente, o mais barato, o que tem feito as viagens de ônibus se tornarem cada vez mais populares. Também é possível chegar a Pamplona partindo de diversas outras cidades espanholas. É possível comprar as passagens pela internet (assim como as aéreas e as de trem) sem nenhuma dor de cabeça. Os ônibus são muito confortáveis e pontuais.

Obviamente, você não vai sair do recesso sacrossanto do seu lar e viajar milhares de quilômetros apenas para conhecer a Ponte de São Pedro. Não se preocupe: Pamplona é uma cidade tranquila e encantadora, com toques de modernidade e um belo casco histórico medieval. É uma cidade bela o ano inteiro, cujas atrações turísticas permanecem abertas ao longo de todo o ano, mesmo no inverno, quando as temperaturas estão bem baixas. Não deixe de conhecer lugares como a La Ciudadela (abaixo), uma fortaleza datada dos séculos XVI e XVII; a Plaza del Castillo e a Plaza de Toros; o Portal de Francia, uma das portas de entrada mais antigas da cidade e por onde passam os peregrinos que fazem o Caminho de Santiago de Compostela. Visite ainda o Castelo de Olite e as muralhas da cidade e não deixe de ir ao Café Iruña, conhecido, além de sua beleza, por ter sido frequentado pelo escritor norte-americano Ernest Hemingway. E não se esqueça da gastronomia e das atrações culturais! (Mas Pamplona será assunto para outra postagem...)


PONTE ROMÂNICA (Puente La Reina-ES)

(castelhano: Puente Románico)

Ainda sobre o rio Arga e ainda em Navarra, bem pertinho de Pamplona, fica um dos encantos dos apaixonados por pontes: a ponte românica da cidadezinha de Puente La Reina, a pouco mais de 22km no sentido sudoeste.

Situada em pleno Caminho de Santiago e construída a serviço dos peregrinos que se encaminhavam para Compostela, essa ponte supera o obstáculo natural colocado pelo rio Arga a sudoeste de Pamplona na estrada que segue até Logroño, passando por Estella e Viana.

Trata-se da mais bonita ponte românica que você pode imaginar. Não por outra razão, ela está na foto de abertura deste site. Tem o típico perfil em "lombo de asno", com suas rampas ascendendo até o ponto mais alto sobre a chave do arco central. Possui sete arcos em semicírculo (aparentemente seis, já que o sétimo fica sob o nível do solo na margem esquerda, debaixo do torreão edificado em época posterior para controlar a passagem de pessoas e equipamentos).

A ponte mede 110m, com 4m de largura. Sua edificação é uma bela, importante e funcional obra da engenharia medieval. Estilizada e elegante, utiliza o arco de meio ponto (em forma de semicírculo), chave de toda uma época, repetidamente abaixado em fortes pilastras guarnecidas com tajamares pontiagudos e escalonados em altura, até o nível inferior das aberturas que iluminam o trabalho entre cada dois arcos, permitindo um melhor escoamento da correnteza do rio através deles.

Contemplá-la ao meio-dia de um dia claro a partir da ponte moderna construída a cerca de 140m à frente, com rio Arga tranquilo fazendo o papel de espelho é um prazer indescritível.

Como chegar: Embora o povoado de Puente la Reina (cerca de 3 mil habitantes) se encontre muito perto da capital da região de Navarra, só é possível chegar lá por transporte rodoviário. Saindo de Pamplona ou de Logroño de carro, você pega a estrada A-12 - Autovía del Camino. Por estar tão perto de Pamplona, ​​há também a possibilidade de viajar de trem ou de avião até a capital de Navarra e de lá tomar o ônibus linha Pamplona-Estella-Logroño que para em Puente la Reina e faz o seu percurso diariamente. Esta opção é a mais recomendada para viajantes que vêm de longe. Por ser uma cidadezinha muito pequena e tão próxima de Pamplona, recomendo um bate-volta.

Puente La Reina é um dos lugares mais importantes do Caminho de Santiago. É conhecida como “Encruzilhada”, pois, como afirma o Códice Calixtino, manuscrito do século XII cujo Livro V é considerado o mais antigo guia para os peregrinos com destino Santiago de Compostela: “Existem quatro estradas para Santiago que em Puente la Reina, já nas Terras de Espanha, se encontram em uma: o Caminho Francês e o Caminho Aragonês". Por isso, todos os anos recebe milhares de peregrinos que atravessam as primeiras etapas para chegar à Catedral de Santiago.

Além da Ponte Românica, outros de seus monumentos estão ligados ao Caminho de Santiago, como, por exemplo, a Igreja do Crucifixo, do século XII, que contém um crucifixo considerado uma das melhores obras da imagética gótica em toda a Espanha. Não deixe de visitar também a Igreja de Santiago el Mayor (abaixo): uma igreja de estilo romântico também do século XII, mas reconstruída no século XVI, localizada no meio da rua principal da cidade.


PONTE VELHA DO RIO VIDOURLE (Sauve-FR)

(francês: Pont Vieux sur le Vidourle; occitano: Pont Vièlh del Riu Vidorle)

Outra dessas pequenas e encantadoras pontes medievais espalhadas por toda a Europa. Essa fica localizada na cidadezinha de Sauve, na região do Langedoc-Roussillon, ao sul da França, de cerca de 1.900 habitantes.

As primeiras menções à aldeia de Sauve datam de 898 ou sessenta anos depois, em 959. A bibliografia, porém, concorda em localizar o primeiro local de estabelecimento na zona alta de Sauve, ao nível do Mer de Rochers (Mar de Rochas). A partir do século IX o povoado foi se fixando na zona baixa, no local atual, quando uma abadia foi fundada lá pelos senhores de Sauve.

A cidade é marcada, do século XI ao século XIII, pela presença da poderosa família de Sauve-Anduze que também possui a estratégica cidade de Sommières. Os Anduze também se qualificam, de acordo com as crônicas da época, com o curioso e raro título de origem persa de "Sátrapas de Sauve".

Foi neste período que se deu a construção da Ponte Velha e das muralhas e quando se deu o desenvolvimento comercial da cidade, ponto de passagem para o Rio Vidourle. A cidade experimentou então um primeiro desenvolvimento em torno do recinto da abadia e da Ponte Velha (vista aqui a partir da Plaço daou Viel Merca, Praça do Velho Mercado ), tanto na margem direita quanto na margem esquerda, com a formação do Faubourg de la Vabre.

No século XIII, a seigneury passou para as mãos dos Roquefeuil, descendentes dos Anduze, depois foi confiscada pelo Rei da França antes de ser adquirida pelos bispos de Maguelonne. Em seguida, será compartilhada entre vários senhores.

Como chegar: Sauve fica a 752Km de Paris, a 293km de Lyon, a 294km de Toulouse, a 50km de Montpellier e a 40km de Nîmes. Não há voos para lá. De trem ou de ônibus, é preciso ir até Nîmes e, de lá, pegar o ônibus linha 140 (Nîmes-Le Vigan). As cidades mais próximas, Nîmes e Montpellier, são encantadoras e valem uma visita, a partir das quais Sauve pode ser um bate e volta.


PONTE NOVA (Toulouse-FR)

(francês: Pont Neuf de Toulouse)

A Pont Neuf fica na bela cidade de Toulouse, na região francesa do Midi-Pyrénées, vizinha do Languedoc-Roussillon, onde está Sauve. Apesar do nome, essa Ponte Nova – uma das muitas que atravessam o Rio Garonne – é a ponte mais antiga da cidade ainda de pé a cruzar o Garonne, tendo as outras sido arrastadas pelas cheias do rio. Antigamente, a Pont Neuf conduzia à entrada da cidade, simbolizada por um arco triunfal construído por Jules Hardouin-Mansart. O arco foi destruído em 1860, mas a ponte ainda é usada por veículos e pedestres.

No século XVI, o mau estado de uma ponte anterior – a Ponte da Daurade – levou à sua substituição. A construção da nova ponte foi iniciada pelos Capitouls (capitols, em occitano, os conselheiros municipais da cidade entre a Idade Média e 1789), mas só começou realmente em 1541, quando o rei Francisco I decidiu financiar a sua construção através de um imposto excepcional sobre a região. Sua pedra fundamental foi lançada em 1544. Interrompida em 1560 pelas guerras religiosas, a obra só foi concluída em 1632. A velha ponte Daurade foi demolida alguns anos depois, em 1639. A Pont Neuf foi inaugurada pessoalmente pelo rei Luís XIV em 19 de outubro de 1659.

A característica mais marcante da ponte classificada como Monumento Histórico desde 1991, são seus pilares, em forma de bico na base e aberturas entre os arcos, projetados para resistir às fortes enchentes do Garonne.

Como chegar: Toulouse é uma bela cidade, repleta de atrações, como as sugeridas aqui (em francês) ou aqui (em português) e, obviamente, ninguém vai a essa cidade apenas para conhecer a Pont Neuf. O Capitólio, por exemplo, e sua grande praça, de 12 mil m² são uma verdadeira joia da arte neoclássica do século XVII, todo em tijolos rosados e com fachadas majestosas. Símbolo da cidade há mais de oito séculos, ele é sede do poder municipal. A construção original é do século XII, mas as fachadas atuais são do século XVII. No interior, uma monumental escada leva você aos andares superiores, decorados com impressionantes afrescos que evocam a história a cidade. A propósito, a Prefeitura de Toulouse coloca à sua disposição dos turistas um pequeno bonde turístico que percorre os monumentos da cidade, começando pelo Capitólio.

Mas, voltando à Pont Neuf, estando em Toulouse, visitá-la é obrigatório. Além de tudo, saindo da ponte, em ambas as margens do Rio Garonne, há lindíssimas alamedas arborizadas que valem uma caminhada.

A Pont Neuf liga a Place du Pont Neuf, no bairro Esquirol, à Rue de la République, no bairro de Saint Cyprien. As linhas de ônibus que te levam até lá são a 14, 14, L7, L9 e L14, operadas pela companhia de transportes Tisséo, e a 319, operada pela Verdie Autocars. As linhas 14, 44, L7 e L14 atravessam a ponte.

Além das linhas de ônibus, a linha A do metrô te dxeixa bem perto da Pont Neuf, nas estações Esquirol ou Saint Cyprien-République.


PONTE DA BEGUINAGE (Bruges-BE)

(francês: Pont du Béguinage de Bruges; holandês: Brug van het Begijhof van Brugge)

Essa pequena e encantadora ponte liga o Wijngardplein (Quarteirão do Vinhedo) à Begijnhof (Beguinage), compondo com o canal povoado de patos, gansos e cisnes e o gramado ao redor uma das paisagens mais representativas da cidade de Bruges, na Bélgica.

A Beguinage de Bruges (denominada "Mosteiro da Vinha" ou De Wijngaard), localizada na parte sul do centro histórico de Bruges (Bélgica), data de 1245. Está separada da cidade por um muro rodeado por um fosso.

As beguinas foram uma organização de mulheres católicas que revolucionou a mentalidade e modificou a paisagem de muitas cidades da região de Flandres. Não se sabe como começou esse movimento. Seus primórdios remontam ao final do século 12, em Liège. Elas se dedicavam ao cuidado dos doentes e dos pobres, assim como à caridade, sem estar vinculadas às regras de clausura nem aos votos públicos da Igreja.

Em menos de vinte anos, o movimento se espalhou pela França, Itália, Holanda, Alemanha, Polônia e Hungria. As mulheres se reuniam por toda parte, recriando cidades dentro de cidades, com o intuito de levar uma vida de perfeição em ambiente urbano, sem fazer votos e isentas das regras da Igreja. O movimento beguine era sedutor principalmente porque propunha que as mulheres existissem sem s


erem esposas ou religiosas, emancipadas de qualquer dominação masculina.

Num primeiro momento, as beguinas foram toleradas e mesmo encorajadas por serem consideradas um movimento religioso de utilidade para o povo. Mas em 1311 o Concílio de Vienne condenou o movimento por causa do perigo de heresia que representavam. Posteriormente, subsistiram sob a forma de asilos para mulheres solteiras pobres.

A beguinage de Bruges faz parte, junto com o resto da beguinage flamenga, do Patrimônio Mundial da UNESCO. O seu pacífico recinto rodeado por cerca de trinta casas beguinas e salpicado de longas árvores, é um dos locais mais famosos da cidade. A ponte que dá acesso a essa comunidade é, sem dúvida, sua marca mais característica e um dos cartões postais mais apreciados de Bruges.


Em 1927, uma comunidade de freiras beneditinas substituiu as beguinas que ainda viviam ali, e desde então tem sido um mosteiro beneditino.

Como chegar: Obviamente, como com relação às outras pontes desta postagem, seria absurdo que alguém se dispusesse a visitar Bruges apenas por essa ponte. Bruges é uma dessas cidades inesquecíveis, com seus charmosos canais e suas ruas medievais.

Entre os séculos XII e XV, essa cidade era um polo econômico importantíssimo na Europa, além de ser um ponto significativo nas rotas comerciais. Tudo isso graças a um grande canal que ligava a cidade ao mar. Em meados do século XV esse canal começou a sofrer um assoreamento natural e Bruges perdeu sua importante conexão com o mar. Logo outras cidades belgas e europeias começaram a assumir seu lugar, e rapidamente Bruges foi perdendo relevância e começou a sumir.

Em função disso, a cidade ficou esquecida por cerca de 400 anos, até ser redescoberta praticamente intacta, com sua aparência medieval bastante preservada. Em pouco tempo começou a receber a atenção dos turistas. Em 2000 seu centro histórico é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

Cidade de dimensões reduzidas para os padrões atuais, Bruges pode ser visitada em apenas um dia, por exemplo num bate e volta de Bruxelas, a capital de Bélgica, que fica apenas uma hora de trem. Se você estiver vindo de Amsterdam, a viagem dura cerca de três horas, com paradas em Bruxelas, Antuérpia e Gent (cidades que também vale muito a pena conhecer!). Se o bolso estiver meio apertado, é possível também fazer a viagem de ônibus, que costuma ser bem mais barata que a ferroviária, mas em geral também demora um pouco mais, embora os ônibus sejam bastante confortáveis.

O idioma falado pela população é uma variação do holandês, mas muita gente fala inglês ou francês.

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