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  • Foto do escritorAlberto Moby Ribeiro da Silva

LAGOS ANDINOS VII: VILLARRICA

Atualizado: 30 de jul. de 2023

Gostaria de ter dedicado mais tempo para conhecer e desfrutar de Villarrica. Na verdade, fiquei com a impressão de que a vizinhança e proximidade com a charmosa Pucón acaba desviando um pouco a atenção do viajante de suas belezas. Além do mais, assim como em Pucón, o Lago Villarrica é onipresente, mas o Vulcão Villarrica visto de lá é ainda mais encantador.


Vulcão Villarrica visto da Costanera Pucara


Preciso confessar que foi essa proximidade entre as duas cidades que me fez escolher ficar em Pucón – e por isso não tenho nenhuma experiência de hospedagem lá pra relatar. Nas vezes em que fui lá eu vinha de San Martín de Los Andes, na Argentina, e não de outra cidade chilena, como Temuco ou Valdivia, por exemplo. Nesse caso, o trajeto obrigatório é antes Pucón e, depois, Villarrica. Pucón é, digamos, mais “atraente”, mas defendo que não se pode desprezar Villarrica.


Dito isto, deixa eu apresentar a cidade. Saindo de Pucón, você chega a Villarrica (a cidade, não o vulcão!) pela Ruta 199. O trajeto é de 25km, mas o tráfego é bastante intenso na época de verão. Caso você não esteja de carro, há serviço regular de ônibus oferecido por quatro empresas: Andesmar, Pullman Bus, Condor e Igi Llaima Internacional. O primeiro ônibus do dia sai de Pucón às 9:15 e o último, às 23:00. De Villarrica para Pucón, o primeiro ônibus sai às 6:05 e o último, às 21:35.


Prédio da Prefeitura Municipal


Com 45 mil habitantes, Villarrica tem mais que o dobro da população de Pucón. Ao contrário da vizinha famosa, Villarrica tem mais o aspecto de uma típica cidade média do interior chileno e sua economia parece não girar em torno do turismo. Ainda assim, a entrada principal da cidade e Villarrica tem um calçadão à beira do lago - a Costanera Pucara - que lembra muito os parques de várias cidades do interior no Brasil, com muita gente fazendo caminhada. Mas boa parte do comércio está concentrada na Av. Gerónimo de Alderete, a cerca de 1,5km da Costanera.


Av. Gerónimo de Alderete (foto: Google)


Villarrica é a sexta cidade mais antiga do Chile. Foi fundada durante o período da conquista espanhola, no século XVI, razão pela qual era de se esperar que tivesse um centro histórico com uma rica arquitetura colonial. No entanto, devido a constantes batalhas ocorridas na região entre espanhóis, criollos e nativos mapuches, a cidade foi destruída e refundada várias vezes. A cidade atual só começou a se formar em 1883, razão pela qual sua tem características de una sociedade contemporânea. Isso não significa, no entanto, que não haja atrações na cidade.


Escultura de Joel López, em frente

à Prefeitura, oferecendo uma

visão harmônica das várias culturas

que fundaram a cidade


Assim como em Pucón, lá você também pode desfrutar das mais variadas atividades desportivas aquáticas, além de caminhadas e a exploração dos arredores da cidade, tão fantásticos como os da cidade vizinha e, digamos, mais charmosa.

Ao que tudo indica, o interesse por essa cidade como destino turístico tem aumentado bastante nos últimos anos, a ponto de já ser considerada por alguns especialisas como um dos maiores centros turísticos da região chamada de Araucanía, tendo investido nas melhores implementações para receber os visitantes.


Como disse antes, a cidade se estende pela margem ocidental do Lago Villarrica, que é contornada pela Costanera, com uma vista incrível para o vulcão e para as águas cristalinas do lago. A Playa Grande de Villarrica, também chamada de Playa Pucará é bastante frequentada tanto por banhistas locais quanto pelos turistas, além de ser procurada também pelos amantes de esportes aquáticos. Suas areias são escuras (como costumam ser as praias da região dos Lagos Andinos, devido à sua origem vulcânica) e suas águas, cristalinas. Para practicar rafting, Villarica oferece as águas do Río Toltén. O lago e o rio são também bastante apropriados para a pesca deportiva. Várias agências de turismo oferecem excursões de descida de bote pelo rio com guias especializados, que incentivam e ajudam o turista a aproveitar a piscosidade de suas águas, assim como seus encantos naturais. Para os apreciadores de caiaque, algumas partes do rio são muito interessantes, enquanto que as pessoas que queiram se iniciar nessa prática desportiva têm a seu dispor as águas tranquilas do Lago Villarrica.


Nascedouro do Rio Toltén no Lago Villarrica


Se você pretende alugar uma casa e passar um bom tempo relaxando, como mais de uma semana, por exemplo, Villarrica é a melhor escolha. Isso porque ela tem mais serviços e utilidades que Pucón. Não chega a ser mais barata, mas como não tem tantos bons restaurantes, logo se gasta menos. Também peço desculpas por não tem dicas significativas sobre onde e o que comer em Villarrica, já que, como disse antes, minhas passagens por lá foram sempre curtas. Infelizmente, o único restaurante que eu indicaria, o Restaurant Miralago, com uma culinária de primeira, atendimento impecável e belíssima decoração, na esquina de General Korner com Bernardo O’Higgins, a confiarmos no street view do Google Maps, foi fechado e o imóvel está à venda. O mesmo parece ter acontecido com o Macondo Restaurant, indicação de amigos, na Av. Isabel Riquelme, com vista para o Rio Toltén. O único jeito é fazer uma busca em sites como o Tripadvisor ou arriscar a pesquisa quando já estiver na cidade. Eu, particularmente, gosto disso e poucas vezes me arrependi seriamente.


Se você, como eu, tem uma quedinha por atividades culturais, há várias opções interessantes. Na esquina da Calle Pedro de Valdivia com a Julio Zegers, por exemplo, existe uma feira, no Centro Cultural Mapuche Wenteche Mapu, que oferece os mais variados produtos da cultura e arte mapuche. Próximo a ela existe também um museu da cultura mapuche, o Museo Histórico y Arqueológico Municipal de Villarrica, no segundo piso da Biblioteca Municipal José Alejandro Pereira.


Apresentação de música mapuche no Wenteche Mapu


A Av. Costanera, inaugurada no final de 2009, que margeia boa parte do Lago Villarrica, desde a ponte nova até a saída para Pucón, também é uma bela atração. Numa caminhada de cerca de 1,3km, você contemplar a beleza estonteante do lago e do Vulcão Villarrica (e, um pouco mais distante, o Quetrupillán) ou ir à Playa Pucara, no final desse passeio público, partindo da Calle Urrutia.


Prédio ultramoderno da sede do campus da Pontificia Universidad Católica de Chile em Villarrica


Além disso, Villarrica tem uma boa programação de concertos, mostras culturais, vida boêmia e múltiplos serviços, faltando apenas – para o bem e para o mal – que o mercado de turismo explore mais intensamente sua vocação turística. Alguns exemplo de atividades culturais em Villarrica: as Jornadas Culturales de Villarrica, organizadas em janeiro pelo campus local da Pontifícia Universidade Católica do Chile em parceria com Prefeitura da cidade; o FestivalNoche del Lago, realizado em fevereiro, na Playa Pucara; a Erupción Teatral de la Araucania, festival de teatro, também em fevereiro, uma seleção do melhor do teatro nacional chileno, com mais de 100 montagens.


Flyer virtual da VX edição da Erupción

Teatral de la Araucanía


Se é a sua primeira vez no Chile e você quer entender o estilo de vida das pessoas e o ritmo da cidade, em Villarrica sua experiência vai ser mais real e, digamos, mais rica.


Acabamos de despertar de um longo pesadelo e programar viagens é um hábito que, felizmente, para quem não vive sem elas, recomeça a ser algo possível e recomendável. Como planejar é aquela parte da vida em que o sonho ainda não é realidade, mas também já não é mais apenas fantasia, sugiro aproveitar esse período de sonho para pensar em Villarrica e Pucón como um destino a considerar.

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